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Sociedade com medo gera vantagens a bandidos

Há poucos dias, um telejornal, em seu noticiário policial, divulgou um assalto onde dois marginais armados, ao tentarem roubar uma motocicleta, acabaram assassinando pai de família de 42 anos de idade. O repórter localizou a esposa e o pai do falecido, que estavam muito abalados com o ocorrido mas não quiseram dar entrevista, pois estavam com “medo”.

Em outro caso, um comerciante mostrava-se revoltado pois sua loja havia sido invadida pela quarta vez. Ele topou dar entrevista, mas fez duas exigências: não quis que aparecesse sua imagem e nem do seu comércio, e insistiu que sua voz deveria ser distorcida, pois temia represálias dos bandidos.

Algumas ocorrências onde criminosos são presos em flagrante, os policiais encontram dificuldades em convencer vítimas a irem à delegacia para registro dos crimes e prisão dos bandidos. Tem gente que alega que o bem subtraído é de pequena monta e que não deseja providências. Outros dizem que estão com pressa, mas a maioria prefere deixar barato, por temer algo pior no futuro.

O problema se agrava quando a vítima tem que ser ouvida no Fórum. Geralmente, o réu é colocado bem próximo da vítima na sala de audiências, e em dado momento, o juiz tem de fazer a seguinte pergunta: “Você reconhece esse rapaz como sendo a pessoa que lhe assaltou?” Muitas vítimas preferem dizer que têm dúvida, e dessa forma, geralmente, o acusado é posto em liberdade e posteriormente absolvido do crime. O medo pode fazer toda diferença nessa hora.

O medo, que tem a tendência de se agravar, cerceia, agride, torna a pessoa menor e frágil. Limita seus horizontes, sua vida seus sonhos. “Depois das 19 horas não saio mais de casa; é muito perigoso”. “Não permito mais meus filhos conversarem na rua, nem de dia”. “Se alguém se aproxima do meu carro no trânsito passo a ter taquicardia”. O medo, real ou imaginário, tem gerado sérios problemas emocionais em milhões de brasileiros, que passaram a sofrer de síndrome do pânico, estresse pós-traumático e até hipertensão.

Podemos fazer a seguinte correlação: se o número de crimes aumenta, na mesma proporção aumentará o sentimento de medo, e por conseguinte, a preocupação e o estresse, que podem redundar em doenças físicas e emocionais.

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